
Ísis Rangel - restaurante Siri Mole
Como foi o início no ramo de gastronomia?
- O início foi meio por acaso. Eu era funcionária pública e sempre tive vontade de ter um restaurante baiano, onde pudesse comer um bom acarajé sentada, com minhas filhas e amigos. Baiana de coração, fui a Bahia fazer um estágio e voltei para o Rio, no intuito de abrir restaurante baiano, que hoje já possui outros pratos regionais.
O que é fundamental para ter sucesso neste ramo na cidade do Rio de Janeiro?
- Sucesso é decorrente de bom trabalho, uso de boa matéria prima, capricho no restaurante. Eu sempre fui fiel à comida brasileira, meus produtos básicos são do norte e da Bahia. O leite de coco, por exemplo, vem diretamente do ceará . È um bom peixe, um bom camarão, ou seja, um capricho que se estenda da cozinha ao salão.
A violência atrapalha o seu negócio? Quais medidas a senhora toma para amenizar este impacto?
- A violência é da cidade. O que me atrapalha não é o assalto ao meu restaurante, mas sim a violência da cidade, visto que as pessoas não costumam mais sair à noite para jantar e se divertir como antigamente, apresentam medo de sair de casa, logo deu 1 hora da manhã, o nosso restaurante se fecha, o que é um reflexo indireto da violência. A única medida interna é um sistema de câmeras, mas como lhe disse o problema é da cidade e eu não posso fazer muito em relação a isso. Acredito que os nossos governantes estejam começando a ficar atentos a essa questão.
Seu restaurante atrai mais turistas ou cariocas?
- As duas coisas. Se tem turistas na cidade, o restaurante lota durante a semana e nos finais de semana a casa é dos cariocas.
Pessoas famosas dão mais ou menos trabalho?
- Não me dão trabalho nenhum, pelo contrário, elas só me dão prazer. Sentam, comem e são atendidos com atenção como todos os meus clientes.
Pensa em abrir outras casas?
- Recentemente abri um Quiosque Siri Mole na praia de Copacabana.
Um grande prato da cozinha brasileira?
- Acarajé...Comeria todos os dias....
Uma ou duas qualidades indispensáveis para um funcionário ser contratado?
- Eles devem ser honestos e possuir paladar na cozinha, além de gentis e educados no salão.
Algum livro que considere uma Bíblia da culinária?
- Leio muito de culinária baiana, leio tudo! Tem um livro do Câmara Cascudo: �Historia da cozinha brasileira� que adoro. Não é de culinária propriamente dita, mas faz uma viagem pela história da culinária nacional e também a OFÈLIA.
Você já é associado da Abrasel?
- Sim há muito tempo. Faz uns 15 anos....
Qual a importância da Abrasel para o mercado de restaurantes?
- È fundamental, eles são os que agregam donos de restaurantes. Eles são os meus amigos, verdadeiro apoio. Lá eu choro minhas perdas e ganhos...eles entendem os meus problemas tanto quanto eu...
Alguma dica para quem está iniciando na carreira?
- Que goste do que faça. É um ramo que exige trabalho pesado; a demanda de tempo é muito grande, e, além disso, lidar com o público é uma tarefa delicada.
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