Tom Jobim e o amor pelos charutos

14/02/2009

Apreciador de puros como Partagas e RyJ, Tom Jobim também gostava dos toscanos e nacionais da Suerdieck. "Dinheiro é bom para comprar uísque, charuto e pagar o aluguel", dizia Jobim, atribuindo a frase a Chico Buarque.

O ano de 2008 foi marcado pelas comemorações do cinqüentenário da Bossa Nova. Com justiça um dos homenageados foi Tom Jobim, com direito a show de Caetano Veloso e Roberto Carlos, juntos pela primeira vez num espetáculo inteiro.

Antonio Carlos de Almeida Jobim, músico brasileiro e internacional, arranjador, pianista e compositor, é lembrado por clássicos da MPB, como Águas de Março, A Felicidade, Sabiá, a Garota de Ipanema, Se Todos Fossem Iguais a Você, Lígia, Desafinado, Samba de Uma Nota Só, Insensatez, Samba do Avião, Matita Perê e tantas outras.

A escritora Raquel de Queiroz escreveu em 1973, para o jornal Última Hora, uma crônica inspirada em Águas de Março: “Tom Jobim escreveu e compôs o poema musical das Águas de Março, coisa bela e estranha, dura; fere o coração com um toque de pedra e depois o afoga na cheia das águas. Promete e recorda, memória de infância e angústias da força do homem. E até num velho pode suscitar nostalgias antigas.”

O grande maestro, como se pode notar pelas fotos em que aparece empunhando um puro, tornou-se apreciador de charutos há trinta anos, segundo a cantora Miúcha, que o acompanhava numa viagem a Nova York. O episódio foi citado por Pedro de Vargas na revista Gula: “O Tom parou de fumar cigarro em 1978, quando estávamos fazendo o primeiro disco em Nova York. Acho que o charuto veio, naquele momento, como uma forma de substituir o cigarro”, disse a cantora. Com o tempo, o maestro adquiriria um gosto especial pelos charutos.

Vargas conta que Jobim começou fumando charutos nacionais, como o Panatela Ouro da Suerdieck. Logo aprendeu a apreciar também os puros cubanos, que conseguia com certa dificuldade na época em que as importações eram praticamente inviáveis. Chegou a recorrer ao amigo Chico Buarque, que lhe trouxe algumas caixas direto de Cuba, na volta de uma de suas viagens à ilha.

A predileção de Tom recaía nas vitolas e marcas clássicas, o que não chega a surpreender. O Partagas Lusitania era um destaque, bem como o Romeo y Julieta Churchill e os Montecristo números 1 e 4. Mas ele não dispensava um bom corona das duas primeiras marcas citadas.

Quase sempre Tom levava um charuto no bolso, em suas andanças, como se vê no depoimento da jornalista Ana Carmen Foschini: “Viajei para Campos do Jordão para a abertura de um festival de inverno, especialmente para conversar com Tom Jobim sobre a criação da Universidade Livre de Música, da qual ele era patrono. Nossa conversa acabou sendo rápida, no camarim do Auditório Cláudio Santoro. Tom embrulhado em cachecol e na nuvem de fumaça do charuto. Uma grande figura.”

Na Plataforma, casa carioca tradicional, um dos sócios, Alberico Campana, iniciou Tom no charuto toscano. Sempre que vinha da Itália trazia uma caixa para o músico. “Após a refeição ele se deliciava com um charuto, acompanhado do licor Cointreau, e até brincava com o anel, colocando-o em meu dedo”, conta Miúcha, que lembra ter sido Tom um fumante metódico, caprichoso: “Ele abria o charuto com muito cuidado. Tinha um desses cortadores especiais, apreciava muito os acessórios. Uma das imagens que guardo do Tom, muito forte, é ele com o charuto no bolso, para fumar após o almoço.”
 
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